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GERAÇÃO POLEGAR

A leitura recente de um artigo sobre as mudanças geracionais despertou-me o entusiasmo para escrever este editorial.

Dizia o artigo que “a nova geração deu outras funções ao (dedo) polegar”.

E começava com um exemplo muito simples, mas bastante elucidativo, para evidenciar essa mudança. No âmbito de um estudo científico, quando se pedia a alguém com mais de vinte e cinco anos para tocar uma campainha, esse pessoa usava o dedo indicador. Mas, se o mesmo pedido fosse feito a uma pessoa com menos de vinte e cinco anos, com muita probabilidade essa pessoa usava o polegar.

Este exemplo é revelador de uma mudança comportamental que, talvez, encontre explicação nas novas tecnologias e nos hábitos da nova geração.

Uma geração influenciada pela televisão, pelo telemóvel, pela internet, pelo You Tube ou ainda pelas redes sociais, de que são exemplos, o Second Life, o Facebook ou o Myspace.

Por exemplo, ao observarmos a destreza com que um adolescente tecla uma mensagem no telemóvel sem sequer olhar para o teclado, ou ainda quando manipula um computador, facilmente podemos concluir que estamos perante mudanças comportamentais significativas.

As opiniões dividem-se sobre as consequências destas mudanças.

Por um lado, vários especialistas temem que o uso excessivo das novas tecnologias reduza a capacidade de concentração e aumente a ansiedade. Ou ainda que, possa ter reflexo no mapa do cérebro, no tamanho dos dedos e outros aspectos físicos decorrentes de más posturas, durante longos períodos de tempo a manusear um computador.

Por outro lado, existe um amplo reconhecimento que a “geração do polegar” é indiscutivelmente mais hábil e flexível, ao nível da coordenação motora, e tem uma capacidade de adaptação notável.

Em suma, com todas as vantagens e desvantagens inerentes a qualquer mudança geracional de hábitos e de comportamentos, acima de tudo o que importa é conhecer e reconhecer que existem mudanças. Fundamentalmente, no sentido de potenciar as suas vantagens e reduzir os perigos.

Os pais, os professores, os educadores, em suma, toda a comunidade educativa e a sociedade, em geral, devem ter plena consciência destas novas formas de comunicar, de estudar e de ocupar os tempos livres pelas novas gerações.

A verdade é que o Mundo actual enfrenta a dificuldade de falar para gerações mais instruídas, com mais recursos de instrução, com maior capacidade de mobilização para actividades cada vez mais diversificadas.

Por isso, o Mundo necessita de adaptar as suas instituições e políticas às características e exigências desta sociedade em rede.

Versatilidade, inovação, entusiasmo, partilha, mas, acima de tudo, as novas gerações esperam que os mais velhos olhem para o “seu” Mundo como um espaço aberto e promissor.

[Editorial PRAÇA PÚBLICA, 11 de Março de 2009]

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