ANTES PREVENIR
No passado domingo, uma criança de quatro anos desapareceu numa praia de Matosinhos, alegadamente arrastada por uma onda do mar.
Mais quatro pessoas terão sido arrastadas pela mesma onda, mas foram salvas a tempo.
Os meios do Instituto de Socorros a Náufragos, INEM, Polícia Marítima e bombeiros foram prontamente mobilizados mas não foram suficientes para salvar a vida do menino Diogo, natural de Vila Real.
Esta tragédia dá-nos que pensar nesta época do ano.
O sol e as boas temperaturas são muito convidativos para uma ida à praia, particularmente, ao fim-de-semana.
Contudo, todos os cuidados são poucos. Em especial, quando se trata de crianças. Ainda estamos longe do início da época balnear. Nesta altura, o mar apresenta ainda uma forte agitação e as praias não estão vigiadas.
Segundo dados oficiais, no ano passado, 97 pessoas sofreram acidentes na zona costeira portuguesa. 25 pessoas morreram e quatro foram dadas como desaparecidas.
Ora, todos sabemos que Ovar é um destino turístico por excelência. O nosso concelho possui um conjunto de recursos naturais muito valioso e cativante para os tempos de lazer, de férias, de convívio. O mar, a ria e as praias são disso bons exemplos.
A nossa localização geográfica e as boas acessibilidades rodoviárias fazem com que as nossas praias sejam muito procuradas, principalmente, pelos nossos vizinhos de Santa Maria da Feira, São João da Madeira, Oliveira de Azeméis, Vale de Cambra e até Arouca.
Mas se, por um lado, Ovar é um concelho convidativo, devido às suas cinco praias distribuídas ao longo de 15 km de faixa litoral, por outro lado, é território particularmente vulnerável e de risco acrescido.
No último fim-de-semana sentiu-se, particularmente, um aumento significativo do fluxo de pessoas até às nossas praias.
O risco associado à falta de vigilância e ao descuido das pessoas são factores que devem ser tidos em conta. O que potencia os riscos e, muitas vezes, resultam em tragédias perfeitamente evitáveis.
Mais do que sublinhar a necessidade de meios e de sinalização adequada sobre o perigo latente da nossa costa, considero que todos nós, enquanto cidadãos, devemos assumir cuidados acrescidos nesta matéria, tendo sempre a plena consciência de que o mar esconde muitos perigos.
É que, mais vale prevenir do que remediar!
[Editorial PRAÇA PÚBLICA, 18 de Março de 2009]
Data: 19 de Março de 2009 em Opinião.
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