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ESCASSEZ DE TEMPO

© Reservam-se os direitos da foto ao seu autor

O intelectual francês Jacques Attali refere na sua obra “Breve História do Futuro” que o factor “tempo” é a única realidade verdadeiramente rara.

Assim é no presente. Assim o será no futuro.

Attali conta-nos uma incrível história dos próximos cinquenta anos, a partir de tudo o que sabemos da História e da Ciência.

Este ensaio revela-nos como irão evoluir as relações entre as nações, e como as perturbações demográficas, os movimentos de população, as mutações laborais, as novas formas do mercado, o terrorismo, a violência ou as mudanças climáticas terão um impacto crescente no nosso quotidiano nas próximas décadas.

O autor revela-nos também como progressos técnicos fantásticos terão influência sobre o trabalho, o ócio, a educação, a saúde, a cultura e os sistemas políticos.

E, finalmente, Attali mostra-nos que seria possível caminhar rumo à abundância, erradicar a pobreza, possibilitar equitativamente a cada um os proveitos da tecnologia, preservar as liberdades individuais, deixar às gerações vindouras um ambiente mais bem protegido ou, ainda, dar origem a novas formas de viver e de criar juntos.

Contudo, há um aspecto que o autor reconhece não ser possível alterar: o tempo.

Este ensaio sobre o futuro vaticina que, nas próximas décadas e como resultado dos desenvolvimentos tecnológicos, vamos precisar de menos tempo, por exemplo, para produzir, comer ou desempenhar tarefas domésticas.

Mas pelo contrário, e à medida que as cidades aumentam, vamos precisar de mais tempo para nos deslocarmos de um local para outro, nomeadamente, por razões de trabalho.

A verdade é que, já hoje, passamos muito tempo nos meios de transportes. Sejam eles colectivos ou individuais.

Talvez por isso, e também em resultado de uma crescente pressão da vida quotidiana, existe hoje em dia um sentimento colectivo de falta de tempo.

O indivíduo sente ter menos tempo para ler, para escutar, para aprender, para viajar, para dormir ou até para amar. Em suma, menos tempo para viver.

Tenho para mim que este é um dos grandes desafios que se coloca às sociedades contemporâneas.

A gestão do tempo é um factor fundamental para a nossa felicidade. Colectiva e individual.

Uma boa gestão do “nosso” tempo pode ser a chave do sucesso para as tarefas que nos propomos realizar. Sejam de carácter profissional, pessoal ou até em prol da comunidade.

Por isso, saibamos ser “donos” do nosso tempo. Saibamos encontrar o equilíbrio entre tudo o que temos para fazer e o tempo que temos para o fazer.

Saibamos fazer, hoje, o fundamental e, amanhã, o acessório. Não esquecendo de que o fundamental pode ser, simplesmente, ler um livro, passear na praia, telefonar a um amigo ou até reflectir sobre este editorial.

[Editorial PRAÇA PÚBLICA, 26 de Março de 2008]

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