Novas e Velhas Glórias
"Quando eu era catraio, o meu Avô costumava levar-me ao futebol todos os domingos.
Foi em tenra idade que eu entrei pela primeira vez no estádio Marques da Silva para ver a nossa Associação Desportiva Ovarense.
Recordo-me bem daquele ritual domingueiro, quer a Ovarense jogasse em casa ou fora. Recordo-me bem dos jogadores da Ovarense na altura capitaneados pelo vareiro José Graça.
Já lá vão mais de 30 anos, mas até me recordo da massa associativa ferrenha e do seu inconformismo perante as arbitragens mais discutíveis.
Outros tempos. Mas, bons tempos.
Pois bem, recordei todos estes momentos com muita emoção no passado Domingo, quando a “nova” equipa de veteranos da AD Ovarense subiu ao relvado do Marques da Silva para defrontar o FC Porto, em jogo amigável.
Foi bonito de se ver e, para mim, foi um reencontro com a história.
As velhas glórias da Ovarense, tais como, João Pereira, Barroqueiro, Zé Carlos, Maurício, Camané, Paulo Farinha, Sousa, Mariano, entre outros. E a “cereja em cima do bolo”, o Pai Semedo a orientar a equipa.
Mas, para mim, o momento alto foi a entrada em campo de um dos maiores símbolos da Ovarense – José Graça. Um autêntico guerreiro em campo. Um jogador humilde, mas que sentia a camisola como ninguém. Um magnífico exemplo para as novas gerações.
E foi precisamente a nova geração que desfilou antes do jogo começar. Quase duas centenas de miúdos das escolas de formação da AD Ovarense fizeram as delícias dos pais e todos os milhares de adeptos presentes neste “regresso” ao Marques da Silva.
Com eles o futuro está garantido. Eles são as novas glórias da Ovarense.
As novas e as velhas glórias da Ovarense estiveram em campo, lado a lado, e escreveram, assim, mais uma página do longo e rico historial da AD Ovarense, que incluiu uma justa homenagem ao Sr. Américo, roupeiro do clube ao longo de muitas décadas.
Mas esta página da história precisa de ser escrita com coragem, com credibilidade e sem grandes expectativas de curto prazo. A pressão imediata pelos resultados e pelas vitórias pode ser prejudicial. O clube da nossa cidade precisa de respirar. Precisa de recuperar do seu recente “estado de coma”.
Os momentos actuais são difíceis, mas a resposta da massa associativa foi muito positiva e antevê um futuro mais risonho.
Parabéns a todos. Mas, muito em especial àqueles que acreditaram e lutaram para que este sonho se transformasse em realidade.
Onde quer o que o meu Avô esteja neste momento, deve estar feliz."
[Editorial PRAÇA PÚBLICA, 27 de Junho de 2007]
Data: 27 de Junho de 2007 em Opinião.
Comentários: 1
Comentários
Comentário de Eulalia Campino
Data: 30 de Junho de 2007, 10:51
Álvaro:
Foi com grande emoção que li o seu editorial. Apesar de não ser vareira, tenho dois filhos que o são. E, como sabe, o meu filho é um dos muitos atletas que foram apresentados no domingo no estádio. Para os pais e para os filhos foi fantático. Espero que em breve vejamos o estádio cheio de vareiros e não só, a apoiar estas esperanças de Ovar. Independentemente de virem a ser grandes jogadores ou não, o importante é estes jovens praticarem desporto, abrirem novos horizontes, serem muito felizes e contribuirem para uma sociedade melhor. Aqui há muito mérito dos treinadores que, para além de os treinarem como atletas, estão a educá-los. Como exemplo, vou referir alguns aspectos presenciados por mim nos treinos e jogos do meu filho, o não permitir que digam palavrões, estimular o espírito de equipa, o respeito pelos outros, até o chamar à atenção que “não se deve falar com a boca cheia”. Como mãe estou muito grata pelo trabalho desenvolvido.
Muito obrigada pelas suas palavras. Como é habitual, o Álvaro está sempre atento ao que está bem e mal em Ovar. Prometo que vou estar mais atenta ao seu blog que acho muito interessante. Continue.
Tudo de bom para si e para a sua família. Da amiga Lita.


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